terça-feira, 23 de novembro de 2010

Novo Endereço


Olá, meus queridos!
Quero comunicar minha nova residência.
Bem, não exatamente a minha, mas daquilo que deixei para trás após minha última mudança.
Primeiramente pensei em ficar em Copacabana, lugar que sempre amei, mas depois descobri que amava mesmo as ruas, os prédios e a vida em Copacabana; não propriamente o mar: acho que sentiria frio, e aqueles fogos de fim de ano certamente iriam me incomodar.
Estou morando no Jardim Botânico. Esse belo bambuzal fica perto daquele lago bonito na avenida principal, pertinho da aléia Frei Leandro.

Se “eu” não estiver por ali, devo estar por perto; talvez o vento tenha me levado para visitar a árvore “casa” do Tom Jobim, que é pertinho.
Quem sabe o ar ainda abrigue alguns acordes de músicas que ele compôs por ali.
Acho que a escolha do Jardim botânico foi acertada.

É bem mais calmo, os pássaros estão sempre cantando e as sombras das árvores me abrigarão.
Estou bem. Um grande beijos a todos, muita paz, e ......apareçam!
Dirce

quarta-feira, 10 de março de 2010

Achados Não Perdidos I


A Cruz e a Espada

Havia um tempo em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu

E agora eu vejo aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo e o meu desejo
Se perdeu de mim

E agora eu ando correndo tanto
Procurando aquele novo lugar
Aquela festa
O que me resta
Encontrar alguém legal pra ficar

E agora é tarde
Acordo tarde
Do meu lado alguém
Que eu nem conhecia

Outra criança adulterada
Pelos anos que a pintura escondia

Paulo Ricardo / Luiz Schiavon

quinta-feira, 4 de março de 2010


Plano de Vôo

Antes da decolagem os pilotos examinam o plano do vôo. Por isso, sabem exatamente aonde vão e iniciam os procedimentos em conformidade com esse plano. Contudo, durante a viagem, o vento, a chuva, a turbulência, o tráfego aéreo, erros humanos e outros fatores interferem no plano, impulsionando ligeiramente a aeronave em direções diferentes, de modo que na maior parte do tempo o avião fica fora da rota do vôo prescrita.

Ao longo de toda a jornada ocorrem pequenos desvios em relação ao plano de vôo. Condições climáticas adversas ou um tráfego aéreo especialmente pesado causam desvios maiores.

Como é possível então que o avião chegue ao seu destino?

Durante o vôo, os pilotos recebem constante feedback. São comunicações dos instrumentos sobre o meio ambiente, informações das torres de controle, de outras aeronaves e às vezes até das estrelas.

Com base nesse feedback, fazem os ajustes necessários para, de tempos em tempos, retornar ao plano de vôo.

Assim também é em nossas vidas.

A esperança não jaz nos desvios, nas dificuldades ou nas interferências.

A esperança se encontra na visão, no plano e na coragem de continuar corrigindo o curso de novo e de novo.

O segredo é ter um objetivo, um bom plano de vôo e uma bússola.


(desconheço o autor)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Cadê meu filho?


Antigamente era praticamente um discurso natural dos casais. Um filho homem era desejado principalmente pelo homem.

Nunca me liguei muito nisso, e quando minha prole revelou-se totalmente feminina, continuei sem ligar.

Amigos e parentes pareciam mais incomodados do que eu. Havia sempre a pergunta:

- Vai tentar o menino?

Ou então o comentário:

- Quem vai te acompanhar ao futebol?

Sem me importar com as perguntas eu argumentava:

- Meninas são mais carinhosas com o pai...

Ou então:

- Meninas são menos briguentas, dão menos trabalho quando estão na adolescência....

Às vezes, todavia, ante tanto questionamento, eu parava para refletir, avaliando se realmente eu não me importava.

Imaginava viver a experiência de ter um filho homem. Estaria essa experiência me faltando?

Um filho que torcesse desesperadamente pelo Fluminense?

Alguém para me acompanhar ao Maracanã, reclamar do juiz e do corpo mole dos jogadores?

Será que tendo um filho homem, eu teria com quem conversar até de madrugada sobre um nada-tudo, abordando música, cinema, bobeira, escoltados por uma cervejinha?

Será que faltaria um filho para compartilhar minha visão masculina do mundo/vida?

Por que eu nunca pensara nisso? Onde estava eu que no momento apropriado, mais jovem, não atinei com essa circunstância?

O que me ocupara então, de tal forma que não tive tempo para pensar em “equilibrar” a prole?

O que estaria eu fazendo?

Ah, sim, lembrei. Eu ora estava pegando a caçula, que no grupo de coleguinhas, muitos deles mais velhos, interferia, ditava as regras de como deveriam ser as brincadeiras, e muitas vezes deixava o “dono” dos brinquedos de fora, por considerá-lo sem habilidade.

Talvez eu estivesse brigando com ela, aconselhando-a para que na próxima vez que seus amiguinhos tentassem bater nela, bastaria me chamar, não sendo necessário defender-se literalmente com botas ortopédicas e dentes afiados (coitados!).

Ou quem sabe convencendo-a de que aquela colherada com que o menino vizinho chato foi premiado, e que tirou sangue, não seria necessária.

Ri muito com essas lembranças e vi que fui abençoado. Eu vivi todas as “emoções” da criação de um filho, com essa linda menina ao meu lado.

E com o passar do tempo, todas as outras questões por si só foram sendo respondidas:

Ela tornou-se uma linda mulher, adora o Tricolor e o Maracanã já acolheu nossos sorrisos e lágrimas, com ou sem cerveja.

Varamos a noite, nossa parte do dia preferida, conversando sobre os nada-tudo que adoramos, não poupando nada e ninguém de nossos comentários politicamente corretos ou não, mas sempre, sem modéstia, inteligentes.

Nunca me faltou também o ombro amigo sempre disposto a ouvir, às vezes sem precisar ou querer falar nada, mas sempre com amor incondicional.

Pensando bem......

Eu, hein, filho homem para que? Tô muito satisfeito!

Para Silvia – Agosto/2009

sábado, 18 de julho de 2009

O Passageiro


É admirável o poder de nossa imaginação.
Às vezes uma imagem, um som, um aroma criam em nós realidades inventadas.
Dirigia calmamente quando, ao parar em um sinal fechado, na pista ao lado parou também uma dessas vans de transporte escolar. Olhei de relance e quase não noto o pequeno passageiro, sentado ao lado do motorista. Era um garoto uniformizado, que pela série cursada indicada na manga da camisa, imaginei ter 10 anos. Não dava realmente para avaliar a idade porque em momento algum vi seu rosto. Distraído que ele estava conversando com o motorista, eu somente vislumbrava seu ombro, a parte de traz de sua cabeça e seu uniforme.
Um uniforme que eu conhecia bem. Um uniforme que fora meu companheiro por sete inesquecíveis anos.
Ao vê-lo assim, rosto oculto, por curiosidade comecei a imaginar como poderia ser seu rosto. Observei o cabelo castanho claro, alourado até, e busquei na mente um rosto que “combinasse” com o que eu via. Esse tolo exercício me fez mergulhar no passado, revolvendo e evocando lembranças.
Com quem poderia ele parecer-se? Poderia ser com um colega de turma?
Prosseguindo nessa insólita busca em minhas lembranças, analisei o feitio da cabeça, com aquele corte baixo de cabelo que todos detestávamos, e nenhuma resposta me vinha à mente.
Em meu cérebro nomes e apelidos rondavam, mas nenhum que combinasse com aquela imagem parcial. Haveria uma semelhança com o Claudio? Não, muito baixo. Combinaria com o Lacerda? Não, ele era mais alto e moreno. Quem sabe...... Eu? Sim, aquela silhueta combinava perfeitamente com um Eu tão antigo que até custa um pouco relembrar.
Confesso que essa observação tocou-me um pouco. Fiz um rápido cálculo do número de anos que separavam presente e lembrança, e surpreso cheguei a sorrir quando comparei os meios utilizados no transporte para o colégio; outrora o velho bonde, agora a reluzente van.
Ainda refletia sobre essa diferença quando um pensamente veio incisivo: e se fosse eu que estivesse ali?
E se eu estivesse começando agora? E se houvesse toda uma vida pela frente, a juventude, amplas perspectivas e oportunidades, ainda que acompanhados da natural incerteza com o futuro.
A questão resumia-se no seguinte: Se fosse possível uma “troca de papéis”, eu aceitaria? Largaria uma vida de experiências múltiplas, em que as conquistas superaram as derrotas, para sentar-me naquele banco, com pouquíssima vivência e singelas responsabilidades? A perspectiva de toda uma longa vida pela frente far-me-ia aceitar a troca?
Eu já concluíra que não aceitaria a hipotética troca quando o sinal abriu. A van afastou-se rapidamente, levando aquele Eu que por um momento existiu. Ele seguiu senhor de sua própria vida e inconsciente do quanto ainda teria que lutar para descobrir seus próprios caminhos.
Respirei fundo, e algumas buzinas já me apressavam quando acelerei para sair e continuar o meu caminho.
Olhei para trás, não do carro, mas da vida e verifiquei a bagagem que eu carregava. Constatei quanta riqueza imaterial eu acumulara e senti-me feliz e recompensado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Silêncio


Pense em alguem que seja poderoso Essa pessoa briga e grita como uma galinha, ou olha e silencia, como um lobo? Lobos não gritam. Eles têm a aura de força e poder. Observam em silêncio.Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe. Sorria. Silencie. Vá em frente.Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso. Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade ! Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça. Você pode escolher o silêncio. Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:
"ME ARREPENDO DE COISAS QUE DISSE, MAS JAMAIS DO MEU SILÊNCIO".
Responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos.Você verá que o o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.
Aldo Novak
Colaboração de Cecília Iponema

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A Partida...


Só agora soube que você partiu....
Circunstâncias da vida fizeram com que nossos caminhos não mais fossem pelo menos próximos, e pudéssemos vez por outra dividir um pouco nossos mundos, sonhos e desejos.
Aprendi com você a verdadeira definição de amor incondicional. Na realidade não só aprendi, mas melhor que isso, vi acontecer. Vi a completa entrega por amor ao próximo.
Sempre admirei como você defendia a família, não só como instituição, mas como unidade. Ai de quem, de dentro ou de fora dela, ousasse desafiar seus “mandamentos”. Sabe que às vezes eu quase que lamentava não estar sob esse doce jugo?
E o que falar de sua capacidade de Renúncia? Quantas vezes vi você abrir mão de algo “seu” para atender a outro que por ventura desse algo se apossara? Na realidade acho que não é abrir mão, mas entregar o próprio coração.
Já sinto saudades. Já não sentirei o cheiro do café, que como por milagre aparecia sempre fresquinho quando chegava a sua casa.
Não mais verei seus cansados, mas ainda fortes braços chegarem carregados de bolsas, após uma verdadeira gincana pelos supermercados a cata das famosas “promoções”.
Seus passos hesitantes e descalços - pernas cansadas - não mais cruzarão perigosamente o terraço molhado alimentando as plantas que recebiam seus carinhos e cuidados.
E como poderei ouvir agora – independentemente de ser do meu gosto ou não - qualquer música de um Roberto Carlos, um Julio Iglesias ou mesmo de um Nelson Gonçalves que chegava até você com lembranças fortes e secretas.
Sua imagem permanece nítida em minha mente, seu sorriso protetor, seu senso de humor que superava qualquer contrariedade, seu ar de felicidade quando decretava “Vou para a rua”, tudo isso serve um pouco de consolo neste momento que reluto em aceitar a sua perda.
A razão me puxando para a realidade sussurra em meu ouvido: “É a lei natural da vida, não vivemos para sempre”. Procuro entender, superar a dor, deixar prevalecer o conceito frio de nossa finita existência.
Ainda que eu tenha que aceitar, ainda que a razão pura tenha que prevalecer, ainda que sua partida tenha sido dolorosamente natural, meu coração, escapando da consciência lógica, insiste em perguntar:

“Por que ter que ir para o céu, se você já era um anjo aqui?”




Para Lourdes - 15/06/09